Vamos colocar o coração na mesa. Este não é um texto em defesa do poliamor ou da monogamia. É uma investigação sobre a alma humana em sua busca por amar.
Nossa cultura está obcecada com a arquitetura do amor, acreditando que a estrutura certa nos trará a paz. Isso é uma ilusão. Mudar o modelo de relacionamento sem mudar a si mesmo é apenas reorganizar os quadros na parede de uma casa cujas fundações estão ruindo.
O Tantra não se interessa pela arquitetura que você escolhe. Interessa-se pela consciência que você traz para dentro dela. E para isso, precisamos conversar com as emoções que tanto tememos.
As Guardiãs da Sua Ferida: Ciúme e Posse
O ciúme e a posse não são seus inimigos. São as guardiãs leais, ainda que assustadas, de suas feridas mais antigas. Assim como a Sombra, elas são sintomas, não a doença.

- O Ciúme, a Guardiã do Medo da Perda: O ciúme raramente é sobre agora. É o eco de uma dor passada. Quando ele grita, a pergunta não é “O que meu parceiro está fazendo?”. É “Qual criança abandonada dentro de mim está chorando agora?”.
- A Posse, a Guardiã da Falta de Soberania: O desejo de controlar o outro nasce do trono vazio do seu próprio poder interno. É o grito de quem não confia que consegue ficar de pé sozinho. A pergunta não é “Como posso controlá-lo?”. É “Como posso, eu, me sentir inteiro por conta própria?”.
Os Votos do Amor Consciente
A questão, portanto, não é qual modelo é “melhor”. A questão é a qualidade da consciência que se traz para o contrato. O Yoga da Relação é o mesmo em qualquer laboratório, e se baseia em três votos:
- O Voto da Auto-responsabilidade: Assumir a posse sagrada dos seus próprios gatilhos.
- O Voto da Comunicação Honesta: A coragem de expressar seus medos sem transformá-los em acusações.
- O Voto dos Acordos Vivos: Criar acordos que honrem a todos, sabendo que eles, como vocês, respiram e mudam.
A verdadeira liberdade no amor não é o direito de ter múltiplos parceiros ou a segurança de ter apenas um.
É a liberdade interna de não ser mais um escravo do seu próprio medo. É a capacidade de sentir seu ciúme sem ser comandado por ele, e de amar a partir da plenitude, não do vazio.
Essa liberdade, sim, é a forma mais elevada de amor que existe.